O comportamento das aves

O comportamento das aves é o resultado do esforço coletivo de todos os usuários que inseriram e inserem valiosas informações que beneficiam não somente aos demais usuários, mas como toda a comunidade de observadores de aves, ornitólogos e visitantes em geral. A todos os que dispensaram um pouco do seu tempo para compartilhar o seu conhecimento, muito obrigado.

Introdução

Chama-se etologia a ciência dedicada ao estudo do comportamento dos animais. No caso das aves, a observação do comportamento se torna muito interessante e prazerosa devido à diversidade, à curiosidade e, muitas vezes, à complexidade e beleza. Podemos lembrar, entre tantos outros, dos requintados rituais de acasalamento dos piprídeos; da bravura de um frágil beija-flor ao defender o seu território; da ave sentinela que, ao menor sinal de perigo, dá o alerta aos demais membros do grupo; da estratégia de caça de uma águia-pescadora. Por sua vez, o comportamento agonístico é das manifestações mais fascinantes de serem avistadas e conhecer-lhe o significado é a chave para uma observação interessante e instrutiva.

Padrão comportamental

Conjunto de ações (movimentos corporais, deslocamentos espaciais, vocalizações etc.) comumente exibidas por um indivíduo ou espécie que, devido a sua frequência, pode se tornar determinante para a identificação. O padrão pode ser perene (a ave sempre, em algum momento do dia ou quando exposta a algum fator desencadeador, irá executá-lo) ou ocasional (a ave exibe determinados comportamentos característicos somente em determinados períodos da vida, como a época de acasalamento). Praticamente todas as aves executam durante os horários mais quentes do dia, quando geralmente procuram abrigo na copa densa das árvores ou em outros locais protegidos do calor, o arranjo das penas, sendo essas uma característica perene. Quando na presença de qualquer ameaça como a dos grandes predadores ocorre uma agitação desorganizada de ataque por parte das possíveis presas - é o comportamento de tumulto, tipo de padrão ocasional.

Estratégias reprodutivas

Rituais de acasalamento

  1. Comportamento de advertência
  2. Display ou dança de acasalamento

- Cortejo alimentar

  1. Arena

  1. Billing

Nidoparasitismo

Comportamento manifestado por algumas espécies de aves que as leva a depositar sua postura, ou parte dela, em ninhos de outros indivíduos de sua mesma espécie ou de outra espécie. O nidoparasitismo intraespecífico, ou seja, entre espécies distintas, é uma estratégia de reprodução na qual alguns indivíduos (os parasitas) deixam seus ovos em ninhos de indivíduos de outras espécies (os hospedes), que proporcionam o cuidado parental à prole do parasita. A ecologia do parasitismo de ninhos por aves foi revisada por Payne em 1977, que chegou a conclusão que cerca de 1% de todas as espécies de aves são parasitas de ninhos, deixando sua prole ser criada por outras espécies. Existem nidoparasitas em diversas famílias de aves pelo mundo, dentre elas: Anatidade, Cuculidae, Indicatoridae, Icteridae, Ploceidae e Viduidae. Temos como principal representante deste comportamento na Europa o cuco (Cuculus canorus) e na América do Sul o chupim (Molothrus bonariensis).

De uma forma geral as aves que não constroem os seus ninhos estão apresentando um comportamento nidoparasita, como é o caso da andorinha-do-campo (Progne tapera) que é extremamente dependente daqueles construídos pelo joão-de-barro.

Aves que ocorrem no Brasil e que praticam o nidoparasitismo.
  1. O Chupim

O chupim é conhecido pelo hábito de colocar seus ovos no ninho de outras aves, para que as mesmas possam chocá-los, criá-los e alimentá-los como filhotes. Por isso acabou virando sinônimo de aproveitador.

Entretanto esse é um comportamento evolutivo de sucesso, que existe a centenas de milhares de anos, muito antes do aparecimento do homem na Terra. Tanto o chupim quanto seus parceiros estão adaptados a este comportamento, que só sai do controle da natureza quando existe a interferência humana.

Os humanos, restringindo o habitat das aves parceiras e reduzindo os locais de nidificação, podem interferir na relação estabilizada entre os chupins e as demais aves parceiras. A interferência humana também afeta a relação estável entre predadores e o chupim. Quanto menos predadores do chupim, maior a população desta ave e consequentemente maior pressão sobre as espécies nidoparasitadas.
São diversas as espécies parceiras do chupim, mas a mais comum de se ver alimentando um filhote desta ave é o Tico-tico (Zonotrichia capensis), que é uma ave comum nas cidades. Registros de Tiê-Sangue (Ramphocelus bresilius), Tiê-preto (Tachyphonus coronatus), Cardeal (Paroaria coronata) dentre tantos outros também já foram feitos.

Cuidado parental

  1. Cuidando dos ovos
  2. Cuidando dos filhotes
  3. Cainismo

Fenômeno biológico ligado à eclosão assíncrona, em que um filhote mata, subjuga ou descarta o irmão de ninhada, geralmente menor.

Em algumas espécies de águias o filhote que nasce primeiro muitas vezes se alimenta do irmão assim que esse sai do ovo, fator que colabora para a sua sobrevivência nos primeiros dias de vida. Como a obtenção de alimento pelos pais é dependente de condições favoráveis à predação - como a disponibilidade de presas, muitas vezes distantes do local do ninho - a eclosão assíncrona - em que o filhote que primeiro sai do ovo é mais forte e robusto que o segundo - a disputa entre os irmãos é limitada ao favorecimento do primogênito, que terá maiores chances de sobrevivência. Essa é uma condicionante natural que dá à espécie maiores chance de perpetuação.

Veja aqui uma ação de cainismo flagrada por Alejandro Gutiérrez A, que gentilmente autorizou a utilização da mídia.

Estratégias de defesa

  1. Gregarismo
  2. O indivíduo sentinela e a advertência

Este comportamento é mais marcante no grupo dos “anus” (Cuculídeos), quando se alimentam/forrageiam no chão, pastos, arbustos e até árvores. Em um poleiro mais destacado, um dos indivíduos do grupo se posiciona como vigia e, a qualquer movimento suspeito, dá um grito de alarme. Com isso, todo o bando imediatamente procura um abrigo seguro ou se coloca em ponto estratégico de fuga. Esse elemento que se faz vigia é substituído periodicamente para que também possa se alimentar.

  1. Defesa territorial
  2. Perda das penas
  3. Fingir-se de morto ou machucado

Comportamento em que o indivíduo, para defender o ninho, demais membros de um grupo ou da ação de predadores se finge de morto ou machucado. Nessas situações a ave farsante consegue a atenção do potencial perigo atraindo-o para si enquanto os demais podem escapar ou passar ilesos pelo momento. Quando menos se espera o falso doente voa para longe atestando a eficácia da estratégia. Em casos mais extremos a ave finge-se de morta deixando-se mesmo tocar pelo predador. Como a maioria das ameaças entendem a ave já morta como imprópria para servir de alimento não se atrevem a utilizá-la como alimento para si. Tão logo se vê fora de perigo a ave termina o blefe e foge.

  1. Mimetismo
    Mimetismo é a capacidade que uma espécie possui de se assemelhar a outra, animal ou vegetal. Essa semelhança confere vantagens como proteção contra predadores para um ou ambos os organismos; vantagem na predação e em ação de parasitismo confundindo-se com o ambiente ou se passando por uma espécie que não oferece perigo. O mimetismo pode ser:
  1. Infanticídio

Comportamento comum aos grandes predadores porém pode ser observado em outros animais. Consiste em eliminar o ovo ou o filhote do macho concorrente para ter a maior chance de sucesso para os indivíduos de sua linhagem. Observa-se tal comportamento nas aves que tem próximo ao seu ninho outro ninho de sua espécie. O ato também pode estar ligado a fatores relacionados a alimentação podendo ocorrer entre indivíduos da mesma espécie ou de espécies diferentes. Eliminando os ovos ou filhotes de outra ave que esteja próxima ao seu território a ave agressora garante uma disponibilidade maior de alimento contando com a diminuição da concorrência. Em situações de estresse como escassez de alimento, agressão física por interações agonísticas ou desastres naturais pode observar um aumento na prática do infanticídio. O intuito em todos os casos é o aumento da chance de sobrevivência do indivíduo e, agregado a esses fatores torna-se muitas vezes uma ação fundamental para a diminuição do gasto calórico (gasto oriundo dos cuidados com os filhotes), aumento dos valores nutricionais (quando o infanticida alimenta-se dos filhotes ou ovos) e a já citada diminuição na concorrência por alimentos.

  1. Brooding
  2. comportamento de tumulto ou mobbing

Ação deflagrada pela ave que se sente ameaçada por um predador acompanhada de muita vocalização por parte da ou das aves que se protegem, tendo como característica um ataque desorganizado com o intuito de proteção individual ou coletiva, dos ninhos ou filhotes. Em alguns casos a ave predadora se aproveita da situação para deflagrar um contra-ataque, o que demonstra que essa ação pode ser desastrada para os indivíduos mais fracos. Rapinantes e saqueadores são comumente observados sendo perseguidos por diversas espécies de aves que são vitimadas pelos seus ataques.

  1. hibernação

Estratégias de caça

  1. rapinagem
  2. mimetismo
  3. estocagem ou ocultação
  4. generalismo
  5. oportunismo

Esse comportamento é demonstrado quando a ave predadora percebe que uma presa em potencial está em situação de debilidade física, idade avançada ou muito jovem para se defender e é assim acoçada até que pereça naturalmente ou é morta por ataques furtivos em áreas vitais do seu corpo. O oportunismo também pode ser notado em espécies que, menos adaptadas, esperam que outras façam o trabalho para aproveitar o que restar da sua presa. Beneficiam-se também de ações exclusivas do ser humano. É o caso do caracará que aguarda os urubus - de bicos mais fortes - dilacerarem a carcaça dos animais mortos para se alimentarem, ou esperam os tratores ararem a terra para comer as minhocas da terra revolvida e mesmo, como em uma das imagens que ilustra esse texto, atacam animais até mesmo de porte avantajado quando esses apresentam-se debilitados.

Outros comportamentos

  1. Alloprening

O ato de uma ave limpar e acarinhar a outra de seu grupo social até ao ponto de muitas vezes essa parecer entrar em estado de êxtase é, sem dúvida um dos mais belos e pouco compreendidos comportamentos na natureza. Embora fascinante, o assunto tem sido de certa forma pouco tratado ou ficado restrito ao campo acadêmico, o que leva o observador, mesmo o mais experiente, a conjecturar a respeito do ato observado. O que se pode afirmar com alguma segurança é que o allopreening está de alguma forma ligado à remoção de ectoparasitos, posicionamento hierárquico e restabelecimento do bom convívio entre os indivíduos do grupo.

O fato de as aves se associarem está diretamente ligado a dois fatores importantes: estratégia de proteção e estratégia de alimentação. Outro ponto teórico que podemos levantar parte do fato de os indivíduos, por estarem nesse momento tão próximos, é que pode haver uma sensação de conforto de uma e outra parte. A sensação de estar protegido e o conforto de ser, digamos, bajulado, faz com que os indivíduos “entendam” que todo aquele prazer e toda a segurança são fatores preponderantes para a manutenção do grupo e faz entender que de alguma forma um elemento depende do outro. Isso talvez explique o fato de quanto mais jovem o indivíduo mais ele se esforça na prática do allopreening para com os indivíduos alfa.

Podemos dividir o allopreening, dentro do entendimento de grupo e sem um rigor científico, em duas categorias: allopreening interespecífico e allopreening intraespecífico.

Ocorre entre espécies diferentes de um mesmo grupo social. O ponto de partida para a ocorrência do allopreening interespecífico é a posição de domínio ou de subjugação de uma ave no grupo: normalmente o comportamento é exibido pela ave potencialmente mais fraca ou subjugada, ou que se comporta assim dentro do grupo. A ação, portanto, resultaria numa forma de aceitação da ave dominada pela ave dominante. Aves jovens e fêmeas estão entre os indivíduos dos quais geralmente partem as ações de allopreening. Vale salientar que, em muitos casos, a ave que inicia o processo de allopreening é aquela, por exemplo, que tem o bico mais fraco e por isso apresenta dificuldades em quebrar uma semente mais dura para extrair-lhe a castanha ou dilacerar as partes mais duras de uma presa.

Um bom exemplo de allopreening é dado pelo urubu-de-cabeça-preta (Coragyps atratus). Fazem parte do seu grupo social outras espécies de urubus e o caracará (Caracara plancus), mais fortes que ele e que conseguem abrir uma carcaça com mais facilidade. Para o cabeça-preta é extremamente vantajoso bajular os seus parceiros e até mesmo não se importar que eles se alimentem primeiro. A sua estratégia de deixar os mais fortes fazerem o trabalho pesado lhe poupa energia para se alimentar mais tranquilamente. Estar incluso no grupo dos mais fortes – sendo o ator principal apenas no momento de limpar os parceiros – confere ao cabeça-preta alimentação fácil e relativa proteção pois, embora seja difícil ver uma ação de predação contra ele, o potencial algoz analisará com mais cuidado os riscos devido à presença dos indivíduos com maior robustez.

ocorre entre indivíduos da mesma espécie e que fazem parte do mesmo grupo, sendo que em diversas espécies indivíduos de grupos diferentes se relacionam de forma competitiva, antagonista. Pode estar ligado a fatores de hierarquia, manutenção do casal e estreitamento dos laços grupais.

O fator hierárquico apresenta-se quando o bando admite entre os seus membros aquele ou aqueles imprescindíveis para a manutenção social e estabilidade do bando, consequentemente tendo maior sucesso na obtenção de alimento e proteção contra predadores. Assim, indivíduos subjugados seriam potencialmente ativos nas relações de allopreening, pois “entenderiam” que o bem estar dos indivíduos alfa é fator preponderante para o seu próprio bem estar e demais membros do grupo. Geralmente as aves jovens,fêmeas, idosas ou que se tornaram por qualquer razão semi-incapacitadas (como por exemplo, aves que se machucaram em disputas por território e se tornam por algum período incapazes de tomar frente em questões de extrema relevância como a caça e, portanto, esperam o desfecho da ação do bando para puder se alimentar) são agentes ativos no allopreening. Machos adultos ou maduros sexualmente são agentes passivos.

Allopreening entre casal…

No estreitamento dos laços grupais, todos os indivíduos em algum momento são ativos ou passivos quanto ao allopreening. Está, portanto, ligado ao fator de estabelecimento do bom convívio. Aves como os anus (Cuculidae) que, embora se protejam tendo a figura do indivíduo sentinela, nas ações de caça tornam-se vorazes e não se importam em tomar do companheiro a presa que ele se esmerou para caçar. Há, então, uma relação de disputa e interesses individuais em jogo. Contudo, sendo aves gregárias onde os indivíduos dependem uns dos outros, não pode haver um permanente clima de conflito. Entra então em cena o allopreening para apaziguar os ânimos… O ato de uma ave limpar e acarinhar a outra de seu grupo social até ao ponto de muitas vezes essa parecer entrar em estado de êxtase ou relaxamento é, sem dúvida, um dos comportamentos mais fascinantes e curiosos da natureza…

Percepção que uma ave faz de um determinado momento e dele se aproveita para levar vantagem em situações semelhantes.

Comportamento comum aos Cathartidae em que os indivíduos urinam ou defecam em suas próprias patas para se refrescarem. O resfriamento corporal ocorre com a evaporação dos líquidos secretados. Como a regulamentação térmica em algumas aves diferencia-se dos demais vertebrados essa é uma saída encontrada para a manutenção da temperatura, embora o acúmulo de material excretado nas patas pode ser danoso à sua saúde.

  1. Sinantropia
  2. Banho

O banho de sol para as aves tem um valor fundamental, pois elas dependem de vitamina D3 para que os ossos tenham um desenvolvimento saudável.

Essa vitamina é adquirida através da exposição aos raios solares.

Embora os raios ultravioleta façam parte da luz solar que chega diariamente à Terra, eles podem ser prejudiciais à saúde dos seres vivos porque afetam o material genético. Por outro lado, para muitos animais, incluindo as aves, os raios UV também têm um papel ecológico e evolutivo de destaque.

As aves têm a capacidade de enxergar os raios UV, o que para o ser humano é impossível sem o uso de equipamentos. No ser humano os cones receptores da retina - em número de três - permitem a percepção de três cores primárias (vermelho, verde e azul). É a visão tricromática. Nas aves esses cones são em número de quatro, o que lhes confere uma visão tetracromática. Esse quarto cone é sensível à radiação UV e permite a identificação de uma gama de cores distintas. Pesquisas apontam a possibilidade de algumas espécies apresentarem ainda um quinto cone, o que lhes daria a capacidade de diferenciar dois tipos de comprimento de ondas UV e uma capacidade incalculável de percepção de cores.

As aves se utilizam dessa capacidade no processo reprodutivo, sendo que a distinção dos indivíduos do sexo oposto é feita por meio do espectro dos raios UV percebido na plumagem. Ocorre que, mesmo não havendo dimorfismo sexual aparente, a reflexão dos raios UV nas penas, ao criar uma vasta gama de cores, tem efeito na seleção sexual, mesmo em aves que para os nossos olhos são totalmente escuras ou totalmente brancas.

Por outro lado, a incidência desses raios nos alimentos ou na fonte de alimentação estimula algumas aves a procurá-los de forma mais eficiente. Assim, os beija-flores têm a percepção segura de quais flores do seu ambiente lhes trarão maior quantidade de néctar, fazendo inclusive visitas regulares à mesma fonte ao longo do dia ou enquanto durar a florada. Aves que vivem em cativeiro podem ter essa percepção alterada devido à falta de contato com a quantidade de raios UV de que ela necessita, o que passa a ser perceptível na sua recusa a se alimentar, no seu enfraquecimento ou forte agitação.

Por essa razão é tão comum observarmos as aves se expondo ao sol, muitas vezes por longos períodos. Muitas espécies como os sabiás, se aproveitam desse momento para exibir suas belas vocalizações.

Relações ecológicas

Denominam-se relações ecológicas as inúmeras formas de coexistência entre os seres vivos no mesmo meio que coabitam. Essas relações são estabelecidas de forma harmônica ou desarmônica, estando um ou ambos tirando algum proveito desse relacionamento.

Definição

  1. Relações ecológicas interespecíficas
  2. Relações ecológicas intraespecíficas

Referências